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A história dos Festivais de Rock de Juiz de Fora na década de 1980 através da imprensa da cidade

Os Festivais de Rock de Juiz de Fora movimentaram a cidade nos anos de 1983, 1985 e 1986 e se tornaram o primeiro passo para que o movimento de rock se consolidasse em Juiz de Fora. Narrativas desses festivais podem ser localizadas em jornais e revista da cidade, que divulgaram os eventos na década de 1980, preservando assim a memória desses acontecimentos.

O jornal Tribuna de Minas publicou em 12 agosto de 1983 a notícia: A cidade explode amanhã em doze horas de som. É a força do rock. Para irritação dos conservadores… A matéria, escrita pelo jornalista Walter Sebastião, apresenta informações sobre o evento, que aconteceu no dia 13 de agosto no Estádio do Sport, e descreve detalhes de cada banda e cantores que se apresentaram no evento: Erasmo Carlos, Raul Seixas, Barão vermelho, Sangue da cidade, Coquetel Molotov, Olho Seco, 365, Cólera, Lobão, Rogério Skylab, Beatles Forever, Mistureza, Toccata e Dhall. A matéria explica ao leitor que as bandas são diferentes e atendem a diversos públicos: “[…] podem ser divididos em três grupos: o grupo histórico, do Rock Brasileiro, as duas grandes linhas dos anos 80 (o punk e o new wave) e os representantes do rock local que, para irritação do pensamento conservador da cidade, existe e está ganhando força” (SEBASTIÃO, 1983, p.13).

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Edição de 12 de agosto de 1983 – Tribuna de Minas

Na edição do jornal de 16 de agosto do mesmo ano, a matéria Festival de Rock: Sucesso, dos esquemas de consumo à sustentação de novas forças e filosofias musicais, escrita também por Walter Sebastião, descreveu rapidamente como foram os shows e apresentou fotos do evento. O jornalista começou o texto com o lead habitual de notícias, ou seja, as informações principais de um determinado acontecimento:

Dosando, com músicas de estilos diferentes, a maior ou menor temperatura emocional de uma plateia de cerca de 10 mil pessoas, foi realizado domingo no campo do Sport, o 1º Festival de Rock de Juiz de Fora, que teve início por volta de 17 horas e invadiu a madrugada, mostrando a força da música, nos caminhos, afinidades e diferenças (SEBASTIÃO, 1983, p.1).

A revista Bizzu também divulgou informações sobre o festival. A publicação possuía um conteúdo voltado para jovens que se ligavam à contracultura e, mais ainda, para àqueles que encontravam no rock ideias semelhantes a suas. A revista publicava matérias relacionadas à música, principalmente ao rock, arte e cultura em geral e teve, no total, 10 edições entre os anos de 1982 e 1986.

A revista era uma das produtoras dos festivais e os divulgava indiretamente, fazendo entrevistas e perfis de bandas que tocavam se apresentavam no evento. Mas na sétima edição da revista, publicou a notícia I Festival Bizzu de Rock em JF e, de uma maneira casual e dinâmica, descreveu o evento:

13 de agosto, sábado, meio-dia. Data fatídica, sina dos roqueiros. No gramado do Sport, um palco e um espaço para a explosão começar.[…] O 1º Festival de Rock de Juiz de Fora, organizado pelo grupo que produz a Revista Bizzu e Alkymia Produções, estará reunindo tudo isto num só dia, num só fôlego. E JF, este buraco infernal de apatia e falta de atividades, vai assistir o mais ousado evento artístico-cultural da cidade e, que irá apresentar neste dia, as mais novas tendências do rock de vanguarda que está rolando no país (I FESTIVAL, 1983, p.7).

O segundo festival aconteceu em 1985, mas não há nenhuma matéria na revista Bizzu o divulgando. Ele é mencionada na edição dez, publicada em 1986. Na página seis, são exibidas imagens da segunda edição do festival, com o título Melhores Momentos. Aparecem nas fotos os cantores e bandas: Robertinho, Léo Jaime, Blues Boy e Di Castro, Cólera, Ultrage a Rigor e Apocalipse.

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Edição número 10, Bizzu, 1986

O Terceiro Festival de Rock de Juiz de Fora é notícia também na décima edição da revista, com uma matéria apresentando e outra descrevendo as bandas e cantores que irão participar do evento. No texto 3º Festival de Rock de Juiz de Fora, o evento é apresentado, mas não é mencionada a data, apenas o local, o Parque de Exposições, no Jóquei Clube. O texto declara que o Festival terá capacidade para 22 mil pessoas e que irá oferecer um rock diverso e de qualidade para a cidade:

A Bizzu Produções presenteia Juiz de Fora com mais um evento de peso, mostrando o que há de melhor no Rock Brasil. Na trilha dos festivais anteriores — 83 e 85 —a Bizzu se preocupou em selecionar bandas de qualidade, peso e estilo; procurou trazer representantes das mais variadas tendências do rock, visando, justamente, a formação cultural da juventude da cidade (3ª FESTIVAL, 1986, p.5).

Na matéria seguinte, Músicos e Grupos. Quem São eles, são descritos os 19 grupos e interpretes que irão se apresentar no evento. Os cantores em carreira solo são Cazuza, Lobão, Robertinho e Di Castro.  São descrições do estilo musicais dos intérpretes e um pouco de suas biografias, como o exemplo: “Depois de 3 discos como band-leader do Barão Vermelho, Cazuza ataca agora de carreira solo. Com um disco novo ele explica que neste trabalho tenta ser mais abrangente, apesar das músicas sempre terem um toque pessoal” (MÚSICOS E GRUPOS, 1996, p. 7).

Já as bandas mencionadas são: Ira, Stress, Celso Blues Boy, TNT, Gambio, Capital Inicial, Camisa de Vênus, Ethiopia, Detrito Federal, Patrulha 66, Cólera, Zero, Dorsal Atlantica e Quinto Acorde.  Os textos também são pequenos históricos e novidades das bandas, além da composição de seus membros, como a do Patrulha 66:

Depois de várias formações e estilos, a banda Patrulha 66 é uma das poucas de Juiz de Fora que procura fazer um trabalho nunca linha mais atual, procurando encontrar uma linguagem própria no cenário do rock. Agora parte para um trabalho mais simples, com o quarteto básico — Adriano (vocal); Petrônio (guitarra); William (baixo); e Binha (bateria) (MÚSICOS E GRUPOS, 1996, p. 8).

Esses foram os três primeiros festivais de rock que aconteceram em Juiz de Fora e que apresentaram e consolidaram o estilo musical na cidade. A partir daí, festivais como o Grito Rock e Festival de Bandas Novas foram produzidos buscando sempre oferecer oportunidade para que bandas locais pudessem se apresentar.

Por Susana Reis – Jornalista e mestranda do PPGCOM UFJF na linha Cultura, Narrativas e Produção de Sentido.

Referências:

1º FESTIVAL, Bizzu de Rock em JF.  Bizzu, Juiz de Fora, nº 6, ano 2, 1983.

3º FESTIVAL de Rock de Juiz de Fora. Bizzu, Juiz de Fora, nº 10, ano 4, 1986.

MÚSICAS E GRUPOS: Quem são eles. Bizzu, Juiz de Fora, nº 10, ano 4, 1986.

SEBASTIÃO, Walter.  A cidade explode amanhã em doze horas de som. É a força do rock. Para irritação dos conservadores. Tribuna de Minas. Juiz de Fora. 12 de agosto de 1983.

SEBASTIÃO, Walter.  Festival de Rock: Sucesso, dos esquemas de consumo à sustentação de novas forças e filosofias musicais. Tribuna de Minas. Juiz de Fora. 16 de agosto de 1983.

 

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12 thoughts on “A história dos Festivais de Rock de Juiz de Fora na década de 1980 através da imprensa da cidade

  1. Muito bacana! Será que o dono do artigo poderia estender mais sobre este assunto e buscar mais sobre as gravações que rolaram nestes festivais? Tenho conhecimento que existem gravações em vídeo dos shows de Raul Seixas, Lobão e os Ronaldos e Rogério Skylab, além do Barão Vermelho nas últimas edições do festival na década de 80. Vale a pena manter o registro na melhor qualidade e buscar saber quem filmou e com quem está em posse este material. É interessante buscar a fonte MASTER e deixá-la digitalizada sem compressão (lossless), transferida diretamente para o formato DVD em alta qualidade, pois assim não irá haver deformações na qualidade de imagem e som. Lembrando que fitas analógicas se degradam com o tempo, então quanto mais rápido houver uma transferência de qualidade, mais chances de ter uma boa qualidade salva. É um registro histórico para a cidade. Caso souber das pessoas envolvidas nas gravações, me informe. Obrigado!

    • Olá!
      Meu interesse na pesquisa não está relacionado muito ao festival em si, mas como a imprensa cobriu os festivais, principalmente o movimento punk da cidade. Mas se por acaso encontrar um bom material sobre o festival, irei avisar.
      Obrigada pelo comentário!

  2. Faltou o principal na matéria, quem foi o grande idealizador dos projetos? Seria muito mais que justo uma homenagem ao super produtor MARCOS PETRILO.

    • Olá Tiago!
      Busquei fazer a postagem baseada em como a imprensa noticiou o fato, mas realmente faltou mencionar o Marcos Petrillo. Esse é apenas um recorte de uma grande pesquisa, então ele será mencionado diversas vezes.
      Obrigada pelo comentário!

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